sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

METABOLISMO DO NITROGÊNIO - EXERCÍCIOS CORRIGIDOS

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de Biociências
REG209 – Bioquímica Fundamental

ALUNO: VILSON ANTÔNIO DA COSTA ARRUDA (0178662)

Questionário 6 CORRIGIDO – Metabolismo do Nitrogênio


1) Qual órgão em que começa a digestão das proteínas? Qual a principal enzima responsável pela digestão?
A digestão das proteínas começa no estômago. A principal enzima responsável pela digestão é a pepsina.

2) Cite 3 funções da degradação de proteínas.
1º - armazenar nutrientes na forma de proteínas e quebrá-las quando houver necessidade metabólica, processos que são muito significativos em tecidos musculares;
2º - eliminar proteínas anormais cuja acumulação possa ser prejudicial à célula;
3º - permitir a regulação do metabolismo celular por meio da eliminação de enzimas e de proteínas regulatórias supérfluas.

3) Em que consiste o processo de ubiquitinação? Qual a sua importância?
A ubiquitinação de proteínas é uma modificação pós-traducional que consiste na adição de uma ou mais moléculas de ubiquitina a proteínas específicas, alterando sua função, localização celular ou direcionando-as para a degradação no proteassoma. Desempenha uma função importante na regulação de proteínas. Ela marca proteínas indesejadas (por exemplo, proteínas mal-dobradas) para que sejam degradadas por organelas chamadas proteassomas.



4) O que é proteassomo? Qual a sua função?
As proteínas ubiquitinadas são degradadas proteoliticamente em um processo dependente de ATP mediado por um grande complexo multiprotéico chamado de proteossomo. Função é degradar proteínas

5) Em que consiste a desaminação? E qual o papel da transaminação?
Desaminação é o processo pelo qual o aminoácido libera o seu grupo amina na forma de amônia e se transforma em um cetoácido correspondente. Transaminação consiste na transferência do seu grupo amino para um a-cetoácido, produzindo o aminoácido correspondente ao a-cetoácido e o a-cetoácido correspondente ao aminoácido original. Geralmente o aceitador do grupo amina é o a-cetoglutarato, que é convertido em glutamato e um novo a-cetoácido.

6) Em que consiste a desaminação oxidativa? Qual sua relação com o ciclo de Krebs e consequentemente com o metabolismo energético?
A desaminação oxidativa consiste na remoção do grupo amino de um aminoácido, sob a forma de amônia livre, formando um a-cetoácido correspondente ao aminoácido. O glutamato é desaminado oxidativamente pela glutamato-desidrogenase (GDH), produzindo amônia e regenerando o a-cetoglutarato para uso em reações de transaminação adicionais. A sua relação com o ciclo de Krebs ocorre pois forma o a-cetoglutarato, um intermediário do ciclo de Krebs.


7) Quais as 3 maneiras que o excesso de nitrogênio pode ser excretado pelos organismo? Qual a principal forma produzida pelos mamíferos terrestres?
A eliminação do excesso está diretamente relacionada com a quantidade de água de que dispõe o ser vivo. Os organismos que a possuem em grande quantidade eliminam amônia; os organismos que precisam exercer um relativo controle sobre a quantidade de água eliminem uréia; e os organismos que vivem em regime de grande economia de água eliminam ácido úrico. Nos mamíferos terrestres a principal forma é a uréia.

8) Descreva o Ciclo da uréia. Em que órgão esse ciclo ocorre?
A enzima carbamoilfosfato sintetase I (presente na micotôndria e sua atividade depende de N-acetil glutamato) catalisa a condensação da amônia com bicarbonato, para formar carbamoilfosfato. O ciclo da uréia tem início, na mitocôndria, com a condensação da ornitina e do carbamoilfosfato gerando citrulina, que sai da mitocôndria e reage com aspartato gerando argininosuccinato e fumarato. A formação da citrulina é catalisada pela transcarbamoilase, enquanto a argininosuccinato sintetase gera argininosuccinato, que sofre a ação da argininosuccinato liase e produz arginina. Finalmente a arginase transforma arginina em uréia e ornitina. Este último composto volta para a mitocôndria, dando continuidade ao ciclo. Este ciclo requer 4 ATP para excretar duas moléculas de amônia na forma de uréia, através dos rins. Ocorre no fígado.


9) O que são aminoácidos glicogênicos e cetogênicos? Qual sua relação com o ciclo de Krebs e consequentemente com o metabolismo energético?
Aminoácidos glicogênicos são aqueles cujo catabolismo produz piruvato ou dos intermediários do ciclo de Krebs. Esses intermediários são abstratos para a gliconeogênese e podem, portanto, originar a forma líquida da glicose ou de glicogênio no fígado e do glicogênio no músculo.
Os aminoácidos que são degradados a acetil-coa ou acetoacetil-coa são chamados de cetogênicos porque dão origem a corpos cetônicos.

10) Descreva o ciclo do nitrogênio. Que organimos são responsáveis pela sua fixação?
A fixação é o processo através do qual nitrogênio é capturado da atmosfera em estado gasoso (N2) e oxidado a amônia (NH3), posteriomente a nitrito (NO2-) e em seguida até nitrato (NO3-), por um processo denominado de nitrificação. Depois que o nitrogênio atmosférico é convertido em uma forma biologicamente útil (p. ex., amônia), ele deve ser assimilado (incorporado) nas biomoléculas. Após a introdução do nitrogênio em um aminoácido, o grupo amino pode ser transferido, por transaminação, para outros compostos. As reações de assimilação de nitrogênio são críticas para a conservação deste elemento essencial, já que a maioria dos organismos não o fixa e por isso depende do elemento pré-fixado. É no espaço natureza com a atividade de metabolismo das plantas que os nitratos se transformam em proteínas e outros produtos que são em grande parte consumidos por animais de diferentes espécies, como alimentos e outra parte volta a terra seja em forma de excreção ou com restos de animais mortos. Além disso, o nitrato é reduzido a NH3 por plantas, fungos decompositores e muitas bactérias, em um processo chamado de amonificação. Depois disto são transformados por atividade das bactérias em compostos nitrogenados e assim se fecha o ciclo do nitrogênio, pois este novamente pode ser aproveitado pelas plantas, um longo processo que se completa quando o nitrogênio volta a seu estado inicial.



11) Explique por que os sintomas de uma deficiência parcial em uma enzima do ciclo da uréia podem ser atenuados por uma dieta com baixo teor de proteínas.
Pessoas com defeitos genéticos em qualquer uma das enzimas do ciclo da uréia são intolerantes a uma dieta rica em proteínas. Aminoácidos desaminados no fígado geram amônia, sendo que a mesma não pode ser convertida em uréia, resultando em acúmulo de amônia. Dietas com baixo teor de proteínas reduz esse acúmulo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

METABOLISMO, GLICÓLISE E CICLO DE KREBS

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de Biociências
REG209 – Bioquímica Fundamental


Aluno: VILSON ANTÔNIO DA COSTA ARRUDA - 178662

Questionário 4 – Introdução ao Metabolismo, Glicólise e Ciclo de Krebs

INTRODUÇÃO AO METABOLISMO

1) Conceitue metabolismo, anabolismo, catabolismo e metabólitos.
Metabolismo: É processo geral por meio do qual os sistemas vivos adquirem e usam energia livre para realizarem suas funções.
Anabolismo(biossíntese): processo no qual as biomoléculas são sintetizadas a partir de componentes mais simples.
Catabolismo(degradação) : processo no qual os nutrientes e os constituintes celulares são degradados para o aproveitamento de seus componentes ou para geração de energia.
Metabólitos: os reagentes, os intermediários e os produtos das reações enzimáticas são denominados metabólitos.
(SANDRA PAULA FERRARI)

2) O que é ATP e qual sua função no metabolismo?
Trifosfato de adenosina, adenosina trifosfato ou simplesmente ATP, é um nucleotídeo responsável pelo armazenamento de energia em suas ligações químicas. É constituída por adenosina, um nucleosídeo, associado a três radicais fosfato conectados em cadeia. A energia é armazenada nas ligações entre os fosfatos.
A importância do ATP reside na grande quantidade de energia livre que acompanha a quebra das suas ligações fosfoanidrido. O ATP armazena energia proveniente da respiração celular e da fotossíntese, para consumo posterior. A molécula atua como uma moeda celular, ou seja, é uma forma conveniente de transportar energia.
(SANDRA PAULA FERRARI)




3) O que são e quais os papeis dos NAD+ e dos FAD nos sistemas biológicos?
NAD - dinucleótido de nicotinamida-adenina. É uma coenzima que apresenta dois estados de oxidação: NAD+ (oxidado) e NADH (reduzido). É usado como "transportador de eletrons" nas reações metabólicas de oxi-redução, tendo um papel preponderante na produção de energia para a célula.
FAD - dinucleótido de flavina e adenina (FAD), também conhecido como flavina-adenina dinucleótido e dinucleótido de flavina-adenina. É um cofator orgânico (coenzima), necesárias ao funcionamento das enzimas. Também é um transportador de elétrons , produzindo energia para a célula.
(SANDRA PAULA FERRARI)

4) Explique e justifique a falta de equilíbrio nas reações metabólicas.
Reações metabólicas ocorrem muito longe do equilíbrio; isto é, são irreversíveis. Isso se deve ao fato de que uma enzima que catalisa uma dessas reações não tem atividade catalítica suficiente para permitir que o equilíbrio seja atingido (a velocidade da reação que ela catalisa é muito baixa). Conseqüentemente, os reagentes acumulam-se em grande excesso em relação às quantidades de equilíbrio. (CELINA CORBELLINI)
Quando se tem um excesso de reagentes em relação aos produtos, fica mais fácil de regular, pois pode aumentar a formação de produtos reduzindo os reagentes chegando mais próximo do equilíbrio ou não, dependendo da necessidade do organismo. (SANDRA PAULA FERRARI)

Em uma via completa, o fluxo é determinado pela etapa determinante da velocidade da via. Por definição, esta etapa é a mais lenta e freqüentemente é a primeira etapa comprometida com a via metabólica em questão. Em algumas vias, o controle do fluxo é compartilhado por várias enzimas, e todas elas auxiliam na determinação da velocidade total do fluxo de metabólitos através da via. Porque a etapa limitante da velocidade é lenta em relação a outras etapas, seu produto é logo removido pelas etapas seguintes, antes que ele possa atingir o equilíbrio com o reagente. Assim, a etapa determinante ocorre longe do equilíbrio e possui uma variação de energia livre bastante negativa. De uma maneira semelhante, uma represa cria uma diferença nos níveis de água entre os seus lados, a montante e a jusante, de modo que a diferença de pressão hidrostática produz uma grande variação negativa de energia livre. A represa pode liberar água para gerar energia elétrica, variando o fluxo de água de acordo com a necessidade de energia. (VOET)

5) Por que não se podem empregar integralmente as enzimas de uma via catabólica em sua correspondente via anabólica?
O fluxo em uma via metabólica é controlado pela regulação da atividade das enzimas que catalisam as etapas limitantes da velocidade da via.
Se um metabólito for convertido em outro metabólito por um processo exergônico, deverá haver um suprimento de energia livre para converter o segundo metabólito novamente no primeiro. Esse processo, energeticamente considerado “ladeira acima”, requer uma via diferente para, pelo menos, algumas etapas de reação.
A existência de rotas de interconversão independentes, é uma propriedade importante das vias metabólicas, pois permite que cada um dos processos tenha um sistema de controle independente. Se o metabólito 2 for necessário para uma célula, será preciso desativar a via de 2 para 1 e ativar a via de 1 para 2. Tais controles independentes seriam impossíveis se não existissem vias diferentes. (CELINA CORBELLINI)

6) O que são reações acopladas e qual a importância delas nas vias metabólicas?
Reações acopladas: Rea ções associadas onde a energia livre de uma reação exergônica é utilizada para dirigir uma segunda reação endergônica. O Acoplamento envolve “compostos de alta energia” que agem como doador de energia livre para a maioria dos processos que requerem energia. (ROSANETE M. SCHUH BLEIL)

7) Qual o papel das reações de oxi-redução no metabolismo?
Uma reação de oxi-redução é uma reação onde ganha-se e perde-se elétrons, ou seja, oxidação é perder elétrons e redução é ganhar elétrons. (MARA REGINA COSTA DE SOUZA)
Portanto, reações de oxi-redução ocorre constantemente no metabolismo pois os combustíveis metabólicos são oxidados até CO2, os elétrons são transferidos para carreadores moleculares que, nos organismos aeróbicos, transferem finalmente os elétrons para o oxigênio molecular. Esse processo de transporte de elétrons produz um gradiente de concentração de prótons que promove a síntese de ATP. Mesmo os anaeróbios obrigatórios, organismos que não fazem fosforilação oxidativa, dependem da oxidação de substratos para impulsionarem a síntese de ATP. Na realidade, reações de oxidação-redução (também conhecidas como reações redox) suprem os seres vivos com a maior parte da energia livre de que necessitam. (VOET)


- Glicólise


8) Em qual compartimento celular ocorre a glicólise?
A glicólise ocorre no citoplasma

9) Escreva a sequencia de reações da glicose (não esqueça de falar as enzimas envolvidas e mostrar em q passos é clivado e produzido o ATP, bem como reduzido o NAD+).
A glicose entra na via glicolítica por sua fosforilação a glicose-6-fosfato (enzima: hexoquinase), onde o ATP é o doador de fosfato, formando-se o ADP, adenosina-difosfato (a hexoquinase é inibida pela glicose-6-fosfato, o produto da reação, por mecanismo alostérico). A glicose-6-fosfato é convertida a frutose-6-fosfato pela fosfoglicosomerase, o que involve uma isomerização aldose-cetose. Em seguida, ocorre outra fosforilação à custa de ATP catalisada pela fosfofrutoquinase (PFK) formando-se frutose-1,6-difosfato (a PFK é uma enzima alostérica cuja atividade desempenha importante papel na regulação da velocidade da glicólise). A frutose-1,6-difosfato é cindida pela aldolase em2 trioses-fosfato, o gliceraldeído-3-fosfato e a dihidroxicetona-fosfato, que são interconversíveis pela ação da enzima fosfotriose-isomerase. A glicólise prossegue pela oxidação do gliceraldeído-3-fosfato a 1,3-difosfoglicerato pela gliceraldeído-3-fosfato-desidrogenase, que é NAD (nicotinamida adenina dinucleotídeo) dependente (forma-se NADH). A energia liberada durante a oxidação é retida na ligação fosfato de alta energia na posição 1 do 1,3-difosofoglicerato. Esse fosfato de alta energia é capturado como ATP em uma reação ulterior com o ADP, catalisada pela fosfoglicerato-quinase, liberando o 3-fosfoglicerato. Visto que se formam 2 moléculas de trioses-fosfato por molécula de glicose, nessa etapa são formadas2 moléculas de ATP por molécula de glicose. O 3-fosfoglicerato é convertido então a 2-fosfoglicerato pela fosfoglicerato-mutase. O passo subseqüente é catalisado pela enolase e envolve uma desidratação e uma redistribuição da energia dentro da molécula, formando-se o fosfoenolpiruvato. O fosfato de alta energia do fosfoenolpiruvato é transferido ao ADP pela enzima piruvato-quinase, para formar 2 moléculas de ATP por molécula de glicose oxidada. O enolpiruvato formado nessa reação converte-se espontaneamente à forma cetônica do piruvato.

Outra maneira mais simples de escrever a sequencia é:

No primeiro estágio da glicólise, a glicose é fosforilada pela hexocinase, isomerizada pela fosfoglicose-isomerase (PGI), fosforilada pela fosfofrutocinase (PFK) e clivada pela aldolase para produzir as trioses gliceraldeído-3-fosfato (GAP) e diidroxiacetona-fosfato (DHAP), que são interconvertidas pela triose-fosfato-isomerase (TIM). Essas reações consomem 2 ATP por glicose.
No segundo estágio da glicólise, o GAP é fosforilado oxidativamente pela gliceraldeído-3-fosfato-desidrogenase (GAPDH), desfosforilado pela fosfoglicerato-cinase (PGK) para produzir ATP, isomerizado pela fosfoglicerato-mutase (PGM), desidratado pela enolase e desfosforilado pela piruvato-cinase para produzir uma segundo ATP
e um piruvato. Esse estágio produz 4 ATP por glicose; portanto, um rendimento líquido de 2 ATP por glicose.
(SANDRA PAULA FERRARI)

ÁCIDOS NUCLÉICOS E LIPÍDIOS

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de Biociências
REG209 – Bioquímica Fundamental

UFRGS

Ácidos nucleícos e lipídeos

Questionário nº 3 corrigido por alunos da biologia, tutor Iuri e profesora Fabiana Horn

- Ácidos nucléicos

1) Qual a estrutura básica de um nucleotídeo?
Em sua estrutura primária, os ácidos nucleicos (DNA e RNA) podem ser vistos como uma cadeia linear composta de unidades químicas simples chamadas nucleotídeos. Um nucleotídeo é um composto químico e possui três partes: um grupo fosfato, uma pentose (molécula de açúcar com cinco carbonos) e uma base orgânica. Nas moléculas de DNA a pentose é uma desoxiribose enquanto que nas moléculas de RNA a pentose é uma ribose. A base orgânica, também conhecida como base nitrogenada, é quem caracteriza cada um dos nucleotídeos, sendo comum o uso tanto do termo seqüência de nucleotídeos quanto o termo seqüência de bases. As bases são adenina (A), guanina (G), citosina (C), timina (T) e uracila (U), sendo as duas primeiras chamadas de purinas e as três últimas chamadas de pirimidinas. No DNA são encontradas as bases A, G, C e T. No RNA encontra-se a base U ao invés da base T. (Maria Veronica Reis Weber)


2) Diferencie bases nitrogenadas, nucleosídeos e nucleotídeos.
Os nucleotídeos são compostos por uma base nitrogenada, uma pentose e um grupo fosfato.
Um nucleosídeo equivale a um nucleotídeo sem o grupamento fosfato, somente com a base nitrogenada e a pentose.
As bases nitrogenadas são compostos cíclicos contendo nitrogênio
(SANDRA PAULA FERRARI)

3)Quais as bases nitrogenadas que podem ocorrer nos ácidos nucléicos.
Bases nitrogenadas: púricas e pirimidinas.
No DNA → Purinas (adenina e guanina) e Pirimidinas (timina e citosina)
No RNA → Purinas (adenina e guanina) e Pirimidinas (uracila e citosina)
(Celina Corbellini)

4) Qual a ligação que une os nucleotídeos em uma fita de DNA ou de RNA? Quais são as partes dos nucleotídeos envolvidas nesta ligação?
A ligação de fosfodiéster, porque o fosfato é esterificado com duas unidades de ribose. A ligação é feita entre o grupo químico chamado hidroxila (OH) ligada ao terceiro carbono da pentose de um nucleotídeo e o fosfato do nucleotídeo seguinte ligado ao carbono cinco da pentose do mesmo. (Maria Veronica Reis Weber)

A ligação é feita entre o grupo químico chamado hidroxila (OH) ligada ao terceiro carbono da pentose de um nucleotídeo (por isso se chama extremidade 3’ do DNA) e o fosfato do nucleotídeo seguinte ligado ao carbono cinco da pentose do mesmo (por isso se chama extremidade 5’ do DNA) . Fabiana

5) Entre os principais nucleotídeos ,encontra-se a ATP (e também GTP ,TTP, UTP e CTP). Qual a sua função?
ATP é, normal e equivocadamente, classificado como uma molécula de armazenamento de energia, mas o termo mais preciso seria carreador ou transmissor de energia. O ATP difunde-se pela célula, fornecendo energia para as tarefas celulares, como reações biossintéticas, transporte iônico e movimento celular. A energia do ATP é disponibilizada pela transferência de um (ou dois) dos grupos fosfato a outra molécula. Os nucleotídeos estão presentes em vários processos metabólicos e são tidos como subunidades dos ácidos nucléicos, participam do transporte e na conservação de energia (ATP, por exemplo), são encontrados como componentes de alguns co-fatores enzimáticos e alguns apresentam a função de mensageiros químicos celulares, como é o caso do cAMP, um segundo mensageiro. A adenosina 5´-trifosfato , o ATP, é de longe o mais largamente utilizado, mas o UTP, o GTP e o CTP são também usados em algumas reações. Esses nucleosídeos trifosfatos também funcionam como precursores ativos na síntese do DNA e do RNA. (Celina Corbellini)

6) Descreva a estrutura tridimensional do DNA segundo o modelo de Watson-Crick.
A representação do DNA, descrita por Watson, é a de uma longa molécula, constituída por duas fitas enroladas em torno de seu próprio eixo, como se fosse uma escada do tipo caracol. A ligação entre elas é feita por pontes de hidrogênio, que são ligações fracas, isto é, que se rompem com facilidade, ficando as bases nitrogenadas com o papel de corrimão de uma escada circular.
Watson e Crick também propuseram que:
• A molécula de DNA é uma hélice dupla fita
• De diâmetro uniforme
• Gira para a direita, como um parafuso
• As duas fitas correm em direções opostas.
O modelo de Watson-Crick do DNA possui as seguintes características principais:

1. Duas cadeias polinucleotídicas circundam um eixo comum formando a dupla Hélice.
2. As duas fitas de DNA são antiparalelas (possuem direções opostas), mas cada uma forma uma hélice para o lado direito. (A diferença entre hélices orientadas tipo mão esquerda e tipo mão direita.)
3. As bases ocupam o centro da hélice, pois são hidrofóbicas e se “escondem” do meio aquoso, ficando no interior da molécula, e as cadeias de açúcar-fosfato estão dispostas na periferia, minimizando a repulsão entre os grupos fosfato carregados, sendo a porção polar e ficando em contato c/ o meio aquoso. A superfície da dupla hélice forma dois sulcos de largura diferente: a cavidade maior e a cavidade menor.


4. Cada base está ligada a uma base da fita oposta por meio de ligações de hidrogênio, formando um par de base planar. A estrutura de Watson-Crick pode acomodar apenas dois tipos de pares de base. Cada resíduo de adenina deve formar o par com um resíduo de timina e vice-versa, e cada resíduo de guanina deve formar par com um resíduo de citosina e vice-versa. Essas interações por ligações de hidrogênio, um fenômeno denominado pareamento de bases complementares, resultam na associação específica das duas cadeias da fita dupla. (Rosanete M. Schuh Bleil)

7)A estabilização da estrutura tridimensional dos ácidos nucléicos é feita pelo pareamento específico de bases. Qual o pareamento mais estável e por quê?
No DNA, os pareamentos que ocorrem são dois: entre a Citosina e a Guanina (formando três ligações de hidrogênio) e entre a Adenina e a Timina (formando duas ligações de hidrogênio). Logo, o pareamento mais estável é o que ocorre entre a Citosina e a Guanina, pois é neste pareamento que ocorre a formação de um maior número de ligações de hidrogênio entres as bases. (Jane Alves)

8) Que outro tipo de interação há entre bases nitrogenadas e que papel exercem na estrutura?
A dupla hélice é mantida unida por duas forças:
Por pontes de hidrogênio formadas pelas bases complementares e por interações hidrofóbicas, que forçam as bases a se "esconderem" dentro da dupla hélice.
Essas interações por ligações de hidrogênio, um fenômeno denominado pareamento de bases complementares, resultam na associação específica das duas cadeias da fita dupla
(Celina Corbellini)

9)Quais as diferenças estruturais entre o DNA e o RNA?
(Rejane Maria Chaves da Silva)

DNA
RNA
Pentose
Desoxirribose
Ribose
Bases
Adenina, Guanina, Citosina e Timina
Adenina, Guanina, Citosina e Uracila
Cadeias
Duas
Uma
Localização
Núcleo e mitocôndria
Núcleo e citoplasma
Função
Hereditariedade, controle da atividade celular
Síntese de proteína

10) Explique o dogma central da biologia, ou seja, explicar sucintamente a produção de proteinas a partir do DNA.
DNA de um gene é transcrito produzindo uma molécula de RNA com sequência complementar. A seqüência de bases no RNA é então traduzida na seqüência correspondente de aminoácidos, formando uma proteína. (Rosanete M. Schuh Bleil)

11) Por que se diz q a replicação do DNA é semi-conservativa? E qual o reflexo disso na hereditariedade?
Nesse caso cada fita do DNA é duplicada formando uma fita híbrida, isto é, a fita velha pareia com a fita nova formando um novo DNA; de uma molécula de DNA formam-se duas outras iguais a ela. Cada DNA recém formado possui uma das cadeias da molécula-mãe, por isso o nome semi-conservativa. (Maria Veronica Reis Weber)
Como a fita velha é conservada e utilizada como molde para a síntese da nova fita, a sequência do DNA é mantida, podendo então ser transmitida nas proximas gerações, pois se cada vez a molécula de DNA fosse sintetizada s/ molde, originaria moléculas com sequências diferentes e seriam então transmitidas informações diferentes para as celulas filhas e os descendentes, mas mantendo o molde a informação é conservada (IURI)

- Lipídeos
12) O que são ácidos graxos?
Ácidos graxos são ácidos monocarboxílicos de cadeia normal que apresentam o grupo carboxila (–COOH) ligado a uma longa cadeia alquílica, saturada ou insaturada. (Celina Corbellini)

13) O que é um ácido graxo insaturado e um ácido graxo saturado? De que modo a insaturação afeta as propriedades físicas dos ácidos graxos?
Ácidos Graxos Saturados :
· Não possuem duplas ligações · São geralmente sólidos à temperatura ambiente · Gorduras de origem animal são geralmente ricas em ácidos graxos saturados
Ácidos Graxos Insaturados :
· Possuem uma ou mais duplas ligações sendo mono ou poliinsaturados · São geralmente líquidos à temperatura ambiente · A dupla ligação, quando ocorre em um ácido graxo natural, é sempre do tipo "cis". · Os óleos de origem vegetal são ricos em Ácidos Graxos insaturados. · Quando existem mais de uma dupla ligação, estas são sempre separadas por pelo menos 3 carbonos. As duplas ligações nunca são adjacentes e nem conjugadas
O ponto de fusão dos ácidos graxos aumenta com o aumento da cadeia, mas diminui com o aumento do número de insaturações. Isso ocorre porque a configuração "cis" das duplas ligações provoca uma dobra de 30o na cadeia, o que dificulta a agregação das moléculas.
(Celina Corbellini)

14)Compare as estruturas e as propriedades físicas dos triacilgliceróis, dos glicerofosfolipídeos e dos esfingolipídeos.

ESTRUTURA
PROPRIEDADES FÍSICAS

Triacilgliceróis
Substâncias apolares e insolúveis em água são triésteres de glicerol com ácidos graxos.
Podem ser chamados de gorduras ou óleos, dependendo do estado físico na temperatura ambiente: se forem sólidos, são gorduras, e líquidos são óleos. No organismo, tanto os óleos como as gorduras podem ser hidrolisados pelo auxílio de enzimas específicas, as lipases ( a lipase pancreática), que permitem a digestão destas substâncias.
Os triacilgliceróis insaturados têm uma menor temperatura de fusão, permanecendo no estado líquido mesmo em baixas temperaturas. Se fossem saturadas, ficariam no estado sólido e teriam maior dificuldade de mobilidade no organismo do animal.
Glicerofosfolipídeos
Os fosfolípideos são ésteres do glicerofosfato - um derivado fosfórico do glicerol. O fosfato é um diéster fosfórico, e o grupo polar do fosfolipídio.

Esfingolipídeos
A principal diferença entre os esfingolipídios e os fosfolipídios é o álcool no qual estes se baseiam: em vez do glicerol, eles são derivados de um amino álcool. Estes lipídeos contém 3 componentes fundamentais: um grupo polar, um ácido graxo, e uma estrutra chamada base esfingóide - uma longa cadeia hidrocarbônica derivada do d-eritro-2-amino-1,3-diol.
(SANDRA PAULA FERRARI)

15) Comente brevemente as funções dos esteróides e eicosanóides.
Os esteróides têm como funções, entre outras, afetar o metabolismo de carboidratos, de proteínas e de lipídeos e influenciar em uma grande variedade de outras funções vitais, incluindo reações inflamatórias e a capacidade de lidar com estresse; regular a excreção de sal e de água pelos rins e afeta o desenvolvimento e a função sexual. (Jane Alves)
Já os eicosanóides são moléculas derivadas de ácidos graxos com 20 carbonos das famílias ômega-3 e ômega 6. Elas exercem um complexo controle sobre diversos sistemas do organismo humano, especialmente na inflamação, imunidade e como mensageiros do sistema nervoso central. As redes de controles biológicos que dependem dos eicosanóides estão entre as mais complexas do corpo humano.
Os eicosanóides ω-6 são geralmente pró-inflamatórios, enquanto os ω-3 exercem bem menos essa função. A quantidade desses ácidos graxos na dieta de uma pessoa afeta as funções controladas pelos eicosanóides no organismo dela, podendo afetar o sistema cardiovascular, a quantidade de triglicérides, a pressão arterial e artrite. Drogas antiinflamatórias, como o ácido acetilsalicílico e outros antiinflamatórios não-esteróides, agem diminuindo a síntese de eicosanóides.
Os eicosanóides possuem quatro famílias:
a)prostaglandinas,
b)prostaciclinas
c)tromboxanos
d)leucotrienos.
Para cada uma há duas ou três séries separadas, derivadas de um ácido graxo ω-3 ou ω-6. As diferentes atividades dessas séries explicam os efeitos benéficos dos ω-3 e ω-6 para a saúde.
(Vilson Antônio Arruda)

16) Em relação aos lipídeos e a membrana:
a) Explique por que a difusão lateral é mais rápida do que a difusão transversal em lipídeos de membrana.
A transferência de uma molécula lipídica através de uma bicamada, um processo chamado de difusão transversal ou movimento de ponta-cabeça, é um evento extremamente raro, pois tal movimento requer que o grupo da cabeça polar, hidratado, do lipídeo passe através do cerne hidrocarbonado anidro da bicamada. As velocidades do movimento de ponta-cabeça dos fosfolipídeos possuem meias-vidas de vários dias ou mais. Contrastando às baixas velocidades do movimento de ponta-cabeça, os lipídeos são altamente móveis no plano da bicamada (difusão lateral). (Celina Corbellini)

b) Discuta a influência da temperatura na fluidez da membrana
A temperatura de modo geral aumenta os movimentos das moléculas, aumenta a agitação molecular, no caso dos lipídeos da membrana, se a temperatura aumenta ficam tb mais agitados, se movimentam mais ficando em um estado mais fluido e mais desorganizado, ou seja, a membrana fica mais fluida. Se a temperatura diminui, os lipídeos se movimentam menos, ficando em um estado menos fluido e mais organizado, aumentando a interação entre eles (ficam mais compactados; por isso óleos como o de arroz e oliva podem solidificar se colocados na geladeira), de maneira que a redução da temperatura reduz a fluidez da membrana (IURI)

c)Discuta a influência da saturação e insaturação dos lipídeos na fluidez da membrana
A fluidez da membrana depende na verdade do contato entre os lipédeos que a formam, quanto maior o contato entre os lipideos, menor a fluidez e qto menor o contato mais fluida ela fica. Um lipídeo saturado possui as caudas hidrocarbonadas retas, por isso apresentam maior região de interação entre eles, ficando mais compactados (mais juntos): consequentemente a membrana fica menos fluida. Ja um lipídeo insaturado, ou seja, que possui uma ou mais ligações duplas na cauda hidrocarbonada do ácido graxo, passam a ter uma inflexão, ficam com “a perna dobrada p/ frente” de maneira que se afastam e mantêm distância do lipídeo vizinho, assim dificultando e reduzindo o contato entre eles; como conseqüência, aumenta a fuidez da membrana. (IURI)

Vocês reverão esse conteúdo em química orgânica (Fabiana)

d)Discuta a relação temperatura x insaturação ou saturação na fluidez da membrana
A fluidez da membrana deve sempre ser mantida em um nível adequado e constante, não deve ficar nem muito fluida e nem pouco fluida, mantendo sempre uma fluidez normal. Então se a temperatura aumenta, a membrana fica mais fluida, mas a celula tem q manter o nivel da fluidez constante então uma estratégia é reduzir a proporção de lipideos insaturado e aumentar a de saturados, de maneira a reduzir a fluidez que foi aumentada pelo aumento da temperatura. Se a temperatura reduz a fluidez diminui, uma maneira p/ manter a fluidez é aumentar a proporção de lipideos insaturados e reduzir os saturados p/ aumentar a fluidez q foi diminuida pela temperatura. (IURI)

Cabe notar que a modulação da fluidez pela alteração na insaturação dos ácidos graxos do lipídeos de membrana ocorre sobretudo em bactérias e animais de sangue frio, cuja temperatura do organismo está sujeita a alterações na temperatura ambiental, enquanto animais de sangue quente mantêm a temperatura corporal constante (Fabiana).

e) Qual a importância do colesterol nas membranas?
O colesterol regula a rigidez, a permeabilidade e principalmente a fluidez da membrana. O colesterol se orienta na bicamada com os seus grupamentos hidroxila próximos aos grupos das cabeças polares das moléculas de fosfolipídios. Nessa posição, o anel esteróide interage com as regiões das cadeias de hidrocarboneto mais próximas aos grupos das cabeças polares. Por meio da redução da mobilidade de alguns fosfolipídios, o colesterol torna a bicamada menos sujeita a deformações nesta região, e assim, diminui a permeabilidade da bicamada a pequenas moléculas hidrossolúveis. Apesar de o colesterol tornar a bicamada menos fluida, também inibe possíveis compactações das cadeias hidrocarbonadas dos lipídeos (transições de fase). Em baixas temperaturas, a membrana permanece mais enrijecida, então o colesterol se intercala entre os lipídios causando um afastamento das cadeias de ácido graxo de um lipídio e de outro, de maneira a manter a fluidez da membrana. Portanto, quando a temperatura do ambiente é maior que a temperatura de transição de fase a membrana está no estado fluido e quando esta situação se inverte então o colesterol passa a “atrapalhar” o movimento dos lipídeos, de maneira a reduzir a fluidez da membrana. (IURI)

17) A face interna e externa da membrana possuem a mesma composição? Se não, cite as diferenças. Explique as diferenças entre proteínas de membrana integrais e periféricas.
A face externa possui glicocálice (formado por lipídeos que contêm açúcares – os glicolipídeos) e um maior conteúdo de fosfatidilserina, fosfatidiletanolamina, enquanto a face interna possui maior conteúdo de fosfatidilcolina e esfingomielina. (IURI)
As proteínas periféricas estão inteiramente fora da membrana, mas sãoligadas a ela por ligações iônicas e forças moleculares fracas (pontes de hidrogênio e/ouforças de Van der Waals) e podem ser dissociadas da membrana por agentesque rompem essas ligações.
As proteínas integrais são encaixadas na bicamada lipídica. Muitas delasestão estendidas de um lado ao outro da membrana e são chamadas proteínastransmembranares. Elas freqüentemente têm três domínios diferentes, doishidrofílicos e um hidrofóbico. O domínio hidrofóbico, transmembranar, insere-seconfortavelmente na bicamada lipídica porque é feito de aminoácidos com cadeiaslaterais hidrofóbicas. (Vilson Antônio Arruda)

18) Descreva brevemente o modelo do mosaico fluido.

O modelo mais aceito atualmente foi formulado por Singer e Nicholson em 1972, que propuseram o Modelo de Mosaico Fluído.
Mosaico ou arte musiva é um embutido de pequenas peças formando determinado desenho. O objetivo do mosaico é preencher algum tipo de plano com pequenas peças.
Essa designação de mosaico reflete como a membrana pode ser visualizada em microscópio eletrônico, com esse aspecto de mosaico, com muitas “peças” lipídicas dispostas em bicamada com proteínas inseridas. A palavra “fluido” descreve o fato de que, apesar da estabilidade estrutural das membranas em duas camadas lipídicas, todos os lipídios em cada camada são livres para se deslocarem lateralmente, fazendo-o com grande desenvoltura e rapidez. As proteínas integrais trespassam ambas camadas lipídicas, e também podem mover-se lateralmente sem empecilhos; como são maiores, deslocam- se com menos rapidez devido à inércia.
Na prática, as membranas biológicas funcionam como um verdadeiro “mar bidimensional”, com completa liberdade de movimento nas duas dimensões de sua superfície, mas com restrição (ainda que não absoluta) aos movimentos que levariam um lipídio (ou proteína) a “sair” da membrana perdendo-se no compartimento adjascente, ou aos movimentos ditos “basculantes” ou “ponta-cabeça” (flip-flop em inglês), em que um lipídio vai espontaneamente de sua monocamada para a outra, atravessando, com sua porção polar, a região hidrofóbica da membrana. (IURI)
Na face externa da membrana encontram-se hidratos de carbono ligados, quer à cabeça hidrofílica dos fosfolípidos (formando os glicolípidos), quer às proteínas (glicoproteínas), que se pensa serem importantes no reconhecimento de substâncias. A bicamada fosfolipídica das biomembranas tem um papel essencialmente estrutural. Os fosfolípidos dispõem-se nesta bicamada de forma a que as cabeças polares (hidrofílicas) ocupem as duas superfícies (intra e extracelular) e as caudas (hidrofóbicas) fiquem orientadas umas para as outras. Os lípidos da bicamada são móveis, alterando com frequência a sua posição dentro de uma camada. Podem executar movimentos laterais ou movimentos ponta-cabeça (flip-flop), em que saltam de uma camada para outra. As proteínas, que fazem parte da ultra-estrutura das biomembranas, podem estar ligadas à superfície da membrana - proteínas extrínsecas -, ou podem encontrar-se total ou parcialmente embebidas na bicamada - proteínas intrínsecas -, originando uma estrutura assimétrica. Estas enzimas podem, ainda, funcionar como enzimas, proteínas transportadoras de substâncias, proteínas receptoras de sinais do meio externo. As proteínas também podem mover-se lateralmente. (Vilson Antônio Arruda)

GAMETOGÊNESE

QUESTIONÁRIO SOBRE GAMETOGÊNESE
1- Explique a estrutura do tubo seminífero.
Os tubos seminíferos são revestidos por uma camada conjuntiva e contêm em seu interior um epitélio constituído basicamente por dois tipos celulares.
No interior dos tubos seminíferos podem ser observadas células de grande dimensão, células de Sertoli, com funções de nutrição e sustentação dos espermatozóides e o epitélio germinativo propriamente dito, que origina os espermatozóides. Encaixadas no espaço entre as circunvoluções dos tubos seminíferos podem ver-se as células intersticiais ou de Leydig, responsáveis pela produção das hormônios sexuais masculinos, sobretudo testosterona, responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e dos caracteres sexuais secundários.

2- Diferencie espermatogênese de espermiogênese.
Espermatogênese é o processo de formação do espermatozóide, enquanto a espermiogênese é o período de diferenciação em que as espermátides sofrem transformações (formação do flagelo, acrossomo) originando os espermatozóides.

3- Diferenciar gônadas de gametas.
As gônadas são glândulas reprodutivas masculino e femininas: os testículos e os ovários, respectivamente.
Além da sua função reprodutiva, as gônadas são também glândulas do sistema endócrino, responsáveis pela produção de hormônios sexuais.
Produzem os hormônios que ao serem secretados são geralmente anabólicos, isto significa que promovem anabolismo, a fase construtiva do metabolismo.

4- Explique o período de maturação da ovogênese.
O período de maturação da ovogênese é idêntico da espermatogênese, corresponde a meiose. O ovócito I (2n) entra em meiose I, formando, cada, um ovócito II ou ovócito de 2ª ordem e um glóbulo polar. O ovócito II apresenta citoplasma volumoso, armazenando todas as reservas alimentares (vitelo) para o embrião. O pólo polar, ao contrário, é praticamente o núcleo celular, sem citoplasma. O ovócito II e o glóbulo polar são haplóides (n), cujos cromossomos se encontram duplicados, isto é, com duas cromátides.

5- De que é formamdo o sêmen ?
As pesquisas realizadas apontam que o esperma (sêmen) contém um vasto número de substâncias: espermatozóides, líquido seminal, água, ácido ascórbico, cítrico, úrico, lático e pirúvico (ciclo de Krebs); frutose, potássio, colesterol, uréia, magnésio, zinco e vitamina B12/E/C.

6- Quais as partes e medidas de um espermatozóide humano ?
Três partes:
a)Cabeça (acrossomo, membrana celular, núcleo, centríolo);
b)Peça Intermediária ( mitocôndria);
c)Cauda (flagelo).

Medida: entre 0,05 e 0,06 mm
7- Qual o tempo de formação de um espermatozóide desde a espermatogônia ?
De 70 a 80 dias

8- Em que local do aparelho reprodutor feminino ocorre a fecundação?
Na Tropa de Falópio

9- Diferencie espermatogênese de ovogênese, quanto ao número de células haplóides formadas.

Cada espermatócito primário diplóide que participa da espermatogênese origina, ao final do processo, quatro espermatozóides haplóides. Isso justifica o grande número de espermatozóides encontrados no esperma, em cada ejaculação, com um número oscilante entre 300 a 500 milhões, enquanto na ovogênese na etapa da divisão II da meiose, o ovócito II origina uma célula grande (haplóide), o óvulo, e outra pequena, o segundo glóbulo ou corpúsculo polar, que pode se dividir, originando dois corpúsculos polares.

10- O que é oligospermia ?
Oligospermia por vezes também apelidada oligozooespermia, caracteriza a situação em que a contagem de espermatozóides no ejaculado masculino tem um valor inferior a 20 milhões por mililitro de sémen ejaculado. Infertilidade. Trata-se de uma doença com a classificação da OMS ICD-10 N46. A oligozooespermia pode ser transitória ou permanente.
Causa: pode ser causada por um conjunto variado de motivos entre os quais a orquite (inflamação do testículo), testículos que não descem até ao escroto e varicocele. O stress, o cigarro e o abuso do alcool e de algumas drogas podem provocar oligozooespermia transitória.

Referências:

Dias, Diaroni Paschoarelli. Biologia Viva, volume único, 1ª Ed – São Paulo: Moderna,1996

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

TÉCNICO AGRÍCOLA: CEM ANOS

CENTENÁRIO DOS TÉCNICOS AGRÍCOLAS
O Presidente da FENATA, Mário LImberger, fez o lançamento do projeto de comemoração dos 100 anos de fundação da primeira escola agrícola do Brasil e da América Latina, que é a Escola Técnica de Agricultura, de Viamão (RS), onde em 1910, deu-se o inicio da história dos técnicos agrícolas. Com o auxílio de equipamento multimídia, em trabalho muito bem elaborado o presidente da Fenata destacou algumas datas significativas para a categoria.
A FENATA reuniu em Brasília o maior número de lideranças nacionais da categoria para discutir o projeto do conselho dos técnicos agrícolas, que foi aprovado por unanimidade e entregue solenemente ao Ministro do Trabalho e Emprego, Dr. Carlos Lupi.
Outro ponto de destaque do evento foi o lançamento projeto dos 100 anos da história dos técnicos agrícolas que começou em 1910 com a criação da primeira escola de formação de técnicos agrícolas do Brasil e da América Latina, que é a Escola Técnica de Agricultura – ETA – da Cidade Gaúcha de Viamão.

CENTENÁRIO DOS TÉCNICO AGRÍCOLAS - Saiba mais
http://www.fenata.com.br/pagina/eventos_encontros_XXI_1.htm

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A ESCOLA CERTA PARA OS TEMPOS MODERNOS

A ESCOLA NECESSÁRIA PARA OS TEMPOS MODERNOS

Neidson Rodrigues
http://inforum.insite.com.br/arquivos/18771/Aula_1_.doc

À educação escolar têm sido atribuídas funções complementares na sociedade, que lhe retiram sua essencialidade e a transformam em instrumento de múltiplas funções, impedindo-a de compor sua tarefa central.
A escola se converte em aparelho para resolver a questão da fome, da crise social, do desemprego, da saúde, da segurança... Chega a tal ponto essa definição, que todos aceitam que a criança vai para a escola por causa da merenda. Não que garantir a sobrevivência dos educandos não seja necessário, mas por assumir o secundário – bem entendido, do ponto de vista da educação escolar –, a escola não dá conta de realizar o que é sua tarefa central: alfabetizar, ensinar história, geografia e ciências. Aí, diz-se que ela é incompetente.

O que é essencial como função da educação escolar?

A escola tem por função preparar o indivíduo para o exercício da cidadania moderna, para a modernidade.
Isso significa formar o homem capaz de conviver numa sociedade em que se cruzam interveniências e influências mundiais da cultura, da política, da economia, da ciência e da técnica.
O homem, hoje, não é mais o homem da aldeia: estamos vivendo em uma sociedade em que as relações culturais, políticas, econômicas, científicas e técnicas são universais, rompendo fronteiras dos limites individuais e locais. A nossa escola, portanto, tem de preparar o homem para viver na sociedade atual e não para viver na sociedade do passado, ou muito menos, na do futuro. O que temos diante de nós é o homem presente, a realidade presente, a sociedade presente. Num mundo de funções diferenciadas, a escola é a instituição que deve cumprir este papel, de maneira universal, gratuita e democrática. A família pode realizar este ato educativo? Algumas famílias, sim. De maneira geral e universal, não. Temos de garantir, então, que a escola o faça – e a escola estará, ou não, preparada para fazê-lo.
A escola, por si, não forma o cidadão; a escola o prepara, o instrumentaliza, dá condições para que ele possa se formar e se construir. E, por isso, temos de afirmar o que constitui o cerne da atividade educativa, garantia para a construção da escola necessária hoje.

1. CONSIDERAÇÃOES PRELIMINARES

Em primeiro lugar, temos de ter clareza de que a escola é uma instituição social e, como tal, está inserida na história. Ela é uma instituição que sofre influências e que influencia aquilo que acontece ao seu redor. Em outras palavras: a escola está inserida numa certa realidade da qual sofre e exerce influência. Ela não é apenas o local onde se reproduzem os interesses, os valores, a cultura, a ideologia. Também pode influenciar a ideologia, os valores, a ciência, a política e a cultura na sociedade em que está inserida.
A escola não é uma instituição neutra frente à realidade social. Temos de compreender a realidade onde ela se situa para podermos clarear o grau de interferência e a possibilidade de agir também sobre essa realidade.
E que realidade é essa? É a que resulta da totalidade dos atos, das ações, dos valores, dos princípios em que a escola está colocada e da realidade histórica que interfere na realidade educacional.
Não se pode simplesmente considerar que, por estarmos inseridos numa sociedade capitalista – onde há um setor dominante da economia que organiza a estrutura de dominação no universo da ciência, da técnica, da cultura, da ideologia –, a escola, como instituição social inserida nessa realidade, executa apenas a função de reproduzir os interesses desses setores dominantes.
Por mais que tente reproduzir apenas interesses dos donos do capital – que organizam o Estado e a sociedade –, ela também perpassa os outros setores da sociedade, já que cumpre sua função de ensinar, do socializar a cultura e de instrumentalizar os educandos para compreenderem essa realidade.
Isto é um processo contraditório que se passa dentro da escola. Ela é influenciada e influencia a realidade social. Sofre as influências da concepção de cultura, de homem e de cidadania presentes na sociedade. Ela não se encontra de forma neutra frente às interferências, nem há como imaginar que se poderia ser construída isolada delas.
A escola sofre e padece as interferências e influências do poder político do Estado. Não há como julgar os poderes constituídos de uma escola, isolada dos interesses e das influências do poder político do Estado. Quaisquer que sejam os níveis das organizações do poder político de uma sociedade e do modo como este poder político organiza o Estado, a atividade normal da escola vai sofrer interferências e influências desse poder.
A escola sofre as interferências e influências do conhecimento científico e do desenvolvimento da tecnologia. Isto é óbvio. A escola lida com o universo da cultura. Ela prepara e forma os indivíduos para o acesso ao conhecimento e para o domínio dos princípios do desenvolvimento científico e de sua aplicação prática, através da tecnologia.
Isso se expressa na estrutura global da escola, no seu livro didático, no currículo que ela trabalha e no modo como o sistema educacional se organiza.
Frente a essa realidade com a qual a escola se defronta, pode-se assumir pelo menos três posições bastante evidentes, que caracterizam o modo de ser, organizar-se e praticar a educação.
1. Uma escola pode se instituir de forma retrógrada. E quando será retrógada? Ao imaginar que a sua forma de atuação deve ser sempre a de recuperação do tempo perdido. Há educadores que vivem à cata e à busca do tempo perdido. “Ah! No meu tempo! Ah! No tempo do meu pai, da minha mãe!” Isto é, a escola será retrógrada quando imaginar que é possível realizar uma educação escolar, nos dias de hoje, da forma como ela existia há cinqüenta, sessenta ou cem anos atrás. Ela estará à busca de um passado que na realidade não existe.
2. Uma escola pode se instituir de forma reacionária quando ela, compreendendo ou não a realidade dos processos de mudança na sociedade e o embate contraditório das forças existentes, se apresenta como local de resistência à transformação e à mudança. Isto é, quando a escola tenta se instaurar num determinado momento e encará-lo como eterno, como se as forças que existem na sociedade não fossem forças que a estão transformando. Ela se caracteriza também como reacionária quando opta por dirigir privilegiadamente as atenções e as ações educativas aos grupos dominantes da sociedade. Assim, tende a se tornar uma escola reacionária, porque não respeita os interesses, os valores, as carências, as necessidades, os processos de mudança que ocorrem no tecido social a partir das outras forças que agem no âmbito da sociedade.
3. Uma escola pode assumir uma concepção mais progressista. Essa escola assume a sua época e suas contradições e se organiza considerando as relações de forças existentes na sua época. É, assim, instrumento de ação das diversas vontades que circulam na sociedade e impulsiona os processos de mudança daí decorrentes.
A decisão, para ser retrógrada, reacionária ou progressista, é de natureza política. Portanto, depende da vontade individual, coletiva ou do próprio poder político.
A partir dessa decisão é que se pode pensar, então, em toda a organização e funcionamento da escola que se deseja construir.
Devemos, por isso, pensar na forma de reorganização da nossa escola, no modo de trabalho e na totalidade das ações educativas necessárias para podermos impulsionar o processo de construção de uma escola que promova uma educação necessária.
É nesse sentido que se pode perguntar como deve ser o perfil dessa escola necessária para atender à realidade atual.

2. CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA NECESSÁRIA

Há algumas características que julgo fundamentais para construir a escola hoje.
Em primeiro lugar, eu diria que a escola necessária é uma escola democrática e que prepara os indivíduos para a democracia.
Ter uma escola democrática significa desenvolver uma educação escolar que compreenda as diversas interferências e interesses que perpassam a sociedade e que organiza o ensino de forma a levar o educando a compreendê-los e a compreender o papel de cada um, individualmente, e o de cada grupo organizado, para poder interferir nas ações dessa sociedade.
Uma escola democrática é aquela que compreende e permite o conflito, e que é capaz de administrá-lo. Nesse sentido, não se desenvolve nela atos que abafam ou eliminam as diferenças existentes.
A escola democrática é, pois, aquela que permite a manifestação das várias contradições que perpassam a escola e que, na sua forma de organização, permite o aprendizado a respeito da natureza dos conflitos e das contradições existentes na sociedade hoje.
Deve ser uma escola onde os professores trabalham de maneira organizada, em que as concepções opostas ou divergentes podem se manifestar; onde os alunos, os pais e a comunidade podem ter a capacidade ou a possibilidade de apresentarem suas alternativas, críticas, observações e sugestões.
Essa escola deve se organizar de forma a poder superar os conflitos, tendendo a não estabelecer uma posição entre chefia e liderança. A chefia pode ser instituída por um ato burocrático ou por um poder acima dela. A liderança só ocorre por manifestação dos liderados.
Lembrem que, numa organização autoritária, é normal o conflito entre chefia e liderança. E que, freqüentemente, o conflito é administrado por um ato burocrático ou legalista da chefia. Para acabar com o conflito, a chefia os aciona, apossando-se do poder de executar a sua ordem. Em nível de escola, são exemplos os atos administrativos que resultam na expulsão de alunos, demissão de professores, proibição da presença de pais em reuniões e assim por diante. Em nível de liderança, a decisão democrática é aquela capaz de analisar a totalidade das alternativas que produzam consenso. Portanto, o convencimento através da mudança de opinião e da mudança de posição. Por isso, uma escola democrática é aquela onde necessariamente deve haver reuniões, debates, discussões e trabalho em conjunto.
É impossível construir uma sociedade democrática nos moldes de uma escola autoritária e, por isso, será impossível a uma escola autoritária ensinar os homens a viverem e conviverem num processo democrático.
Os instrumentos institucionais, como o colegiado, a ação colegiada, reuniões e assembléias, são instrumentos normais numa escola democrática.
Uma segunda características de uma escola necessária para os tempos modernos é que a escola é uma instituição de cultura que deve socializar o saber, a ciência, a técnica e as artes produzidas socialmente, para que todos possam ter acesso a esses bens culturais.
Não são todos na sociedade que produzem a ciência, a técnica e a cultura de maneira igualitária. Mas qualquer produção nesse sentido resulta de um trabalho coletivo da sociedade. Não há cientista que se isole da sociedade para produzir o conhecimento científico. Não há desenvolvimento cultural, seja no campo da literatura, das artes, das letras, da pintura ou da arquitetura, que seja constituído isoladamente da evolução e do desenvolvimento social. Portanto, um grande cientista, uma obra de arte, uma obra literária ou uma obra técnica são frutos do desenvolvimento da civilização.
Como conseqüência, todos nós, de uma ou de outra forma, participamos desse processo, porque é o processo histórico. Assim, todos temos o direito de ter acesso ao conhecimento daquilo que é socialmente produzido.
A instituição escolar tem, portanto, por função repassar, organizar o saber e viabilizar a todos os membros de uma sociedade o acesso aos instrumentos de produção cultural, científica, técnica e política da sociedade em que esses indivíduos vivem.
Uma terceira característica que se deve ressaltar é a exigência de contemporaneidade histórica da escola. Quando aberta à realidade social de um determinado momento, ela capacita aos seus educandos o desenvolvimento de sua compreensão e entendimento da realidade vivida. A escola necessária deve permitir que o educando seja capaz de entrar no mundo dessa realidade para entendê-lo.
Os educandos precisam compreender o que é uma sociedade capitalista, como ela se organiza e como se organizam as classes e os grupos sociais nessa sociedade. Precisam entender, ainda, como a cidade se desenvolvem as relações entre a cidade e o campo, e as relações fundamentais do mundo da produção; como a cultura se diversifica; qual o papel dos agentes culturais; como a ciência é produzida; qual o papel da ciência e da técnica no mundo moderno; como se organiza a vida política no município e no país; como ocorrem as relações internacionais; como as pessoas são manipuladas e como participam da construção e da reconstrução desse processo; por que existe a favela; por que uns ganham mais e outros menos; por que os salários não são estabelecidos em função da importância social da produção.
Enfim, o educando precisa compreender essa realidade, para que possa escolher a forma de atuar na sociedade, dentro dos limites das suas possibilidades.
A escola não pode concorrer para mascarar ou criar tampões nos olhos dos educandos. Não pode fazer o jogo de esconder a realidade porque ela não é arma para produzir felicidades ou infelicidades, mas mediação entre a realidade empírica e o seu conhecimento. A escola pode ser o bisturi que abre os olhos para a compreensão do mundo.
É isto que faz com que a escola de hoje tenha uma quarta característica: que esteja comprometida politicamente e prepare o educando para o exercício da cidadania.
O exercício da cidadania compreende a totalidade dos direitos que o indivíduo tem de desempenhar nas mais diversas funções no tecido social, do ponto de vista individual e social.
No cotidiano de cada um, seja criança ou adulto, o conhecimento dos direitos, o reconhecimento dos deveres, a adesão legítima às riquezas das necessidades (mesmo as sociais, culturais e políticas) garantem o princípio de liberdade de cidadania. Isso confere ao cidadão o direito de escolher seus amigos, brinquedos, diversão, o seu emprego, a mulher com quem vai se casar, o partido político ao qual vai aderir, as concepções de Estado e sociedade para as quais vai destinar seu voto, o lugar que ele vai ocupar na sociedade,
Isso tudo compõe a totalidade dos direitos no exercício da cidadania e, para que ele seja capaz de realizar essa opção e inserir nela sua vontade, disponibilidade e competência para exercer ou para atingir aquilo que deseja, tem necessidade de estar preparado para o exercício dessa função de cidadania.
De forma alguma lhe pode ser vedada a condição desse exercício de cidadania. Portanto, a escola necessária é aquela comprometida politicamente com esse processo, capaz de preparar o educando para esse conhecimento e para a ação de cidadania numa sociedade moderna, através de suas ações educativas e da totalidade de suas ações pedagógicas.
Essas são algumas características fundamentais para pensarmos na escola necessária que estamos querendo construir.

3. O EDUCADOR NECESSÁRIO

Essa escola necessária exige um educador necessário para cumprir suas tarefas. Esse educador necessário deve ter algumas características fundamentais.
Em primeiro lugar, ele deve estar comprometido politicamente com a sua tarefa de educador. Esse comprometimento exige que as pessoas tenham consciência da responsabilidade que lhes foi confiada. Não se é educador como se é operário de uma fábrica de automóveis.
O educador não pode julgar que a atividade da educação funciona do mesmo modo que a de um trabalhador de fábrica. Não há como o educador começar a ser educador na hora em que bate o ponto e deixar de sê-lo na hora em que o relógio indica o fim do expediente.
Do educador se exige uma constante ocupação com o ato educativo. Ele tem de ser. É uma questão de ser e não uma questão de situação. Exige-se, portanto, um crescimento dessa consciência política, que se obtém no próprio processo político do trabalho. Essa consciência política não se obtém através de uma verificação da tendência psicológica de alguém ou de um teste psicológico para avalaiar a vocação. Mesmo porque as vocações também são históricas e se dão na história.
À medida que o educador, enquanto educador, compreende a importância social do seu trabalho, a dimensão transformadora da sua ação, a importância social, cultural, coletiva e política da sua tarefa, o seu compromisso cresce.
Ninguém é comprometido, politicamente, de uma vez por todas. O compromisso é como um ato de amor, que tem de se renovar diariamente. Na realidade, o ato de educação exige necessariamente uma espécie de renovação diária do compromisso com o ato educativo.
Em segundo lugar, o professor comprometido politicamente tem de ser tecnicamente competente. A competência técnica se renova da mesma forma que o compromisso político. Nenhum professor está, em algum momento, adequadamente preparado.
Há de se lembrar que a preparação técnica, a ampliação do conhecimento e a atualização exigem um exercício freqüente e diário por parte do educador e do sistema no qual ele está inserido. Mas, necessariamente, exigem vontade, desejo, carência do profissional professor.
Aquele educador que se sente comprometido politicamente já está com a vontade direcionada para a sua preparação técnica. Não há como preparar alguém para o exercício da função educativa se ele não se encontra, interiormente, comprometido com essa função.
É por isso que a questão do compromisso político é fundamental até para que se possa desenvolver a competência técnica.
Não podemos ter a ilusão de que os professores a partir de um determinado momento estão preparados. Nenhum professor está preparado porque cursou a faculdade ou a universidade, ou porque leu cinco, dez, cinqüenta ou duzentos livros, ouviu um determinado número de conferências, participou de uma determinada quantidade de cursos. Estes são instrumentos que podem auxiliar o processo de sua elevação técnica. Em cada momento, temos educadores em níveis diferenciados de preparação. O processo de preparação dos professores, tecnicamente, tem de considerar o ponto de partida em que se encontra esse professor para que se possa elevar sua competência técnica.
Em terceiro lugar, se a escola se pretende democrática, o educador necessário para ela deve assumir, democraticamente, a sua tarefa educativa. Como conseqüência, ele deve compreender a importância coletiva do seu trabalho. Se não compreende, ou é incapaz de compreender, que sua tarefa educativa não se encerra no âmbito de sua disciplina, no período de sua aula e na sua forma de avaliação, ele não vai concorrer para o exercício e para a formação de uma escola e de uma educação democráticas.
Há de se advertir aos educandos para compreenderem a importância do trabalho democrático e, portanto, solidário e cooperativo no interior da escola e levá-los a se despirem do individualismo e do egoísmo.
A atividade pedagógica não é solitária: ela é uma atividade solidária. É a totalidade dos atos pedagógicos no interior da escola que concorre para o seu crescimento e a formação do educador e não a totalidade dos atos de qualquer professor, individualmente considerado.
Por último, a escola necessária exige, além de um educador com perfil diferente para o trabalho escolar, também um currículo e uma organização administrativa necessários.

4. O CURRÌCULO NECESSÁRIO

O que a escola faz, de maneira essencial e fundamental, é aquilo que circula no seu interior, como sua atividade principal, como sua matéria-prima fundamental: o “currículo”. O currículo é o instrumento através do qual a escola vai preparar o indivíduo para o exercício da cidadania. Aqui, também, com respeito ao currículo, temos de pensar no que é permanente e no que é principal e no que secundário, no que é secundário, no que é central e no que é periférico. Dentro dele há uma essencialidade que, se não for cumprida, descaracteriza a escola, comprometendo a função de preparação para a cidadania.
Lembremos que a escola prepara para a cidadania através da prática – porque não se ensina alguém somente através de discursos. Ensina-se através do discurso e da prática. Pode-se fazer um discurso democrático na escola: se a prática da escola é autoritária, se ensinará muito mais o comportamento autoritário do que a prática democrática. A escola, para ensinar, precisa fazer o discurso da democracia e executá-la; tem, inclusive, de demonstrar as dificuldades de se praticá-la, pois faz parte do discurso da democracia dizer que praticá-la é difícil, para que não se pense que praticar a democracia é a coisa mais fácil do mundo. Faz parte do discurso da democracia demonstrar como, na prática, é difícil praticá-la e mesmo entendê-la. Mesmo porque não temos nenhum exemplo histórico no mundo ou na história da civilização do que constitui a sociedade democrática. Temos instituições, homens, ações permeadas do espírito democrático – mas a democracia, em seu estado puro, não existe. Então, a escola ensina através da atividade curricular e através de sua prática.
Dissemos que é fundamental saber qual é a essencialidade do currículo. Na preparação para a cidadania, há duas questões que se colocam essenciais. Primeiro, compreender o que se passa no mundo onde estamos vivendo. Segundo, compreender as formas de agir e atuar neste mundo.
É discurso bastante universal dizer que a escola precisa preparar o cidadão crítico. O cidadão crítico não é apenas aquele que é capaz de fazer a crítica da consciência. Ele tem que dominar, necessariamente, o conhecimento daquilo que vai criticar. O cidadão é alguém capaz de distinguir as coisas na sociedade – o verbo grego kritein, de onde vem a palavra CRÍTICA, significa julgar, distinguir, analisar, separar. Ao fazer a crítica, tenho de ser capaz de fazer distinção, julgamento, separação das coisas. Só posso fazer isso se dominar o conhecimento sobre as coisas, sobre a realidade da qual vou fazer a crítica.
Formar uma consciência crítica significa preparar o indivíduo para – de posse do conhecimento da sociedade em si e do conhecimento sobre as condições de suas próprias funções – distinguir o que os outros estão fazendo e o que ele deve fazer.
O que é fundamental na educação escolar é que ela seja capaz de incorporar, em seu processo pedagógico, o desenvolvimento de ações de conhecimento que leve o indivíduo a, primeiro, conhecer o mundo; segundo, conhecer-se como sujeito capaz de agir neste mundo e transformá-lo.
Como levar os indivíduos a conhecer o mundo? Se estamos querendo levar as pessoas, através do ensino e da educação escolar, a serem capazes de ver o mundo, devemos levá-las a procurar a realidade – em grego, existe a expressão Aletheia, que significa “tirar o véu que encobre alguma coisa”. Encontramos a verdade quando tiramos o véu, quando afastamos tudo que encobre a essência das coisas. Quando retiramos aquilo que nos impede de ver o real, chegamos a verdade – e este é o papel do conhecimento: buscar a verdade das coisas, retirar o véu das aparências, atingir a essencialidade, ultrapassar as aparências. Algumas pessos me têm atribuído uma postura essencialista e idealista com relação a essa afirmação da busca da verdade. Gostaria de advertir: não estou dizendo que tal verdade seja alcançável porque ela existe logo ali detrás das aparências, ou mais além no “mundo das idéias”, ou no interior, como algo que emerge do espírito ou do “reino dos céus”. Ao apontar para essa busca da “verdade”, estou mais próximo da posição de quem assume que a verdade é busca e fuga. Concordo com Nietzsche quando ele diz: “não nos deixemos extraviar: os grandes espíritos são céticos”.
Ora, a atividade educativa serve para ajudar a melhor enxergar o mundo, a retirar o que encobre a nossa faculdade de ver a realidade. Através da atividade escolar estamos como que retirando as crianças de uma sala fechada e abrindo janelas para o mundo. O currículo são as janelas que estaremos abrindo para que a criança veja, não a janela, mas o mundo. Num primeiro momento, ela verá a janela, mas não é a janela o objeto de minha visão e, sim, o mundo.
Através do currículo, do ensino, estaremos abrindo janelas para que as crianças vejam o mundo melhor, se vejam nele, compreendam-no melhor, porque elas só irão compreender melhor se conhecerem melhor o mundo. Depois que abrimos as janelas principais, poderão ser solicitados alguns outros instrumentos acessórios para ver ou aproximar melhor as coisas – podemos usar um binóculo para enxergar mais de perto, pode-se aumentar a iluminação; mas, antes de tudo, há de se abrir as janelas, esse é o ponto de partida.
Então, quais são essas janelas essenciais com as quais temos de trabalhar na escola para que as crianças – todas, de maneira universal, sem distinção – possam, pelo menos, tem uma primeira visão do mundo? São as disciplinas fundamentais: língua portuguesa, as ciências, a matemática, a história, a geografia. O pressuposto para todo esse trabalho escolar é a alfabetização. A alfabetização não é, assim, um conteúdo, ela é a condição primeira para o desenvolvimento de trabalho pedagógico, é o suporte em que lê se assenta. Logo, também não é uma atividade que se esgote num período de tempo. Podemos dizer que a alfabetização é o próprio processo educativo de escola básica. Eu alfabetizo quando ensino português, ciências, matemática, relações sociais, quando amplio a compreensão do mundo etc.
O cidadão despojado do domínio da língua pátria e da escrita encontra-se extremamente limitado, não para entender oi discurso do presidente na televisão, mas para transitar no seu mundo – para consultar a lista telefônica, para comprar uma passagem na rodoviária, para procurar um médico, para consultar a lista da Sunab ... é o seu cotidiano que está aí implicado. Se ele souber a língua inglesa, ótimo: estará ampliando seu ângulo de visão para o conhecimento do mundo. A língua inglesa, no entanto, vai funcionar como binóculo sobre os olhos de alguém que já está vendo – portanto é um acréscimo. No que este acréscimo não seja importante, mas, muito mais importante é a abertura da janela.
A janela representada pela língua portuguesa é, pois, fundamental, não podemos ignorá-la. Temos de pensar, a seguir na progressão, no roteiro de trabalho para ensinar a língua, do 1o. ano escolar até o 2o. Grau, de forma que essa janela se amplie, para que se possa garantir às crianças um domínio da língua capaz de eliminar essa vergonha nacional que é a exigência, no vestibular, de fazer um exame superficial de língua portuguesa para quem passou onze anos na escola fundamental.
Uma outra janela importante – a das ciências. A sociedade moderna é uma sociedade construída e se organiza sob os determinantes do conhecimento científico. É necessário, pois, iniciarmos as crianças nessa forma de produzir o mundo. Não se deve crer que se formarão pequenos cientistas, pequenos químicos, pequenos “Isaacs Newtons”. Mesmo que a escola não disponha de um laboratório bem montado – muitas vezes a manipulação instrumental concorre para mascarar o ensino de ciências –, as operações científicas e o controle da razão no confronto com os fatos do mundo podem ser executados.
O conteúdo do ensino das ciências não pode ser reduzido à memorização de fórmulas, mas é importante saber como essas fórmulas são produzidas pela observação, pela investigação, pelo exercício metódico do pensamento. É importante mostrar até mesmo que, em nome da ciência e do desenvolvimento científico, muitas vezes são cometidos verdadeiros crimes contra a natureza e contra a humanidade, quando a ciência e a técnica são apossadas por grupos que as usam apenas para seus interesses particulares.
É importante mostrar como as técnicas científicas podem liberar o homem do trabalho penoso, possibilitando o alargamento de seu capacidade produtiva, de seu tempo de lazer e de utilização de recursos da natureza que são incorporados na vida individual e social, e que, se isso não ocorre, as causas se encontram nos modos de organização e de dominação social que a ordem política subscreve.
O conhecimento científico contribui para o desenvolvimento de novas formas de vida e para a superação das limitações da natureza. São múltiplos os exemplos que podem ser demonstrados, tais como: no campo da alimentação, do vestuário, transportes, habitação, lazer. Podemos mostrar aos educandos a relação do conhecimento científico com o desenvolvimento da técnica e sua articulação na nossa vida cotidiana, como, por exemplo, os edifícios modernos, os aparelhos de som, de videocassete, o fogão a gás, a eletricidade, o computador, o telefone, o papel e a caneta, a matéria plástica, o cimento armado, o congelamento de alimentos. Da mesma forma, podemos mostrar o conhecimento da matemática, química, física, biologia e sociologia e suas aplicações e implicações na política e na organização social.
Desse modo, os educandos podem conhecer a ciência pelas suas conseqüências e implicações na organização e reorganização da vida. Podemos mostrar, também, que a ciência é fruto do trabalho organizado, coletivo (não há progresso científico que resulte de trabalhos ou pesquisas isoladas), de modo que o educando vá adquirindo conhecimento da importância, amplitude e papel da ciência no mundo moderno, bem como dos princípios que fundamental e orientam a investigação científica. Para aprender, assim, a desmistificar o saber científico, a amar a ciência e a se dedicar, com prazer, à tarefa do saber, abrindo, dessa forma, a sua visão para o conhecimento de uma parcela do mundo com o qual convive e no qual vai atuar como cidadão. E compreenda, enfim, os caminhos da história do homem. Vamos a uma outra janela para a compreensão do mundo: a história.
O ensino da história não pode se reduzir à memorização dos fatos, à informação detalhada dos eventos, ao acúmulo de informações sobre as circunstâncias sob os quais ocorreram. A história não é, simplesmente, um relato de fatos pretéritos, não é o elogio de figuras ilustres. No ensino da história, a função da mente é compreender o acontecido, não apenas memorizá-lo. Sem que se nomeie, preserve, compreenda, sem que se indique onde se encontram as coisas e qual o seu valor, não se pode haver continuidade consciente no tempo, mas somente a eterna mudança do mundo e o ciclo biológico das criaturas que nele vivem. O conhecimento da história da civilização é importante porque nos fornece as bases para o conhecimento de como aqueles que viveram antes de nós equacionaram as grandes questões humanas.
A geografia é uma outra janela importante que nos permite conhecer o modo como o homem se organiza no espaço e o produz e o incorpora na sua vida, no seu cotidiano e na sociedade.
Um acidente geográfico, um rio, por exemplo, é importante, não porque seja grande ou pequeno e, sim, por causa de sua função social. Um rio é importante, ou porque é um instrumento de comunicação numa sociedade, ou porque ele permite ser incorporado pela produção de energia elétrica, ou porque é importante em um esquema de irrigação, ou porque é fundamental para o equilíbrio ecológico. Ele não é importante porque tem tantos e quais afluentes ... a sua importância é proporcional à sua capacidade de incorporação social; o rio não é, simplesmente, um objeto físico a ser descrito pela geografia – o rio é uma realidade social e política. Do mesmo modo, o clima é importante, não porque é mais frio ou mais quente, mais ou menos úmido, e sim porque condiciona determinados tipos de comportamentos, desde a produção agrícola até o modo de construir casas, de produzir roupas para serem vendidas ou compradas no mercado – o clima tem implicações imediatas para a vida social e política das pessoas e do país. Temos, portanto, de reverter o ensino de geografia para essa tendência para que a questão física e do espaço, que está focalizando, sejam compreendidas numa dimensão social – só assim seremos capazes de abrir janelas para que a criança veja a realidade e para que compreenda por que se constroem estradas aqui e ali, por que determinadas cidades podem crescer mais do que as outras, por que uma região se desenvolve mais do que outra ...
O que temos de fazer, nesse momento, o que se nos apresenta como desafio, é que através do nosso currículo, a escola possa refletir esse momento histórico que estamos vivendo e este papel que lhe é atribuído.
Não é de pequena importância igualmente lembrar que, ao lado de um educador e de um currículo necessário, temos de desenvolver uma metodologia necessária à essa nova escola. Vejamos alguns desses aspectos. A metodologia necessária.
Se julgarmos que a função da escola seja a de apenas repassar o conhecimento para outras cabeças, agiremos num sentido; por outro lado, se julgarmos que a função da escola é, ao repassar conhecimento, também produzir uma transformação no indivíduo, de modo a permitir que ele compreenda melhor o mundo, nossa ação será diferente. Importante não é só o acervo de conhecimentos que se deve selecionar para instruir o ensino – igualmente importante é a maneira como se vai realizar este ensino, o modo como o ensino é trabalhado. E quando falamos do modo estamos nos referindo à metodologia de trabalho da escola. Só que, ao falarmos deste modo, não estamos falando de recursos técnicos para transmitir um conhecimento catalogado: estamos fazendo referência a uma política – alfabetizar, por exemplo, pode ser feito por qualquer método; alfabetizar a partir da vivência, da realidade dos alfabetizandos, fazendo com que eles ampliem o conhecimento de sua realidade e incorporem outros conhecimentos, exige determinado método, não qualquer método.
Se se vai ensinar história do Brasil, sob qualquer método, se estudará o descobrimento, as capitanias hereditárias, a colonização, a República ... – o modo como vamos tratar essas questões é que pode alterar, de maneira substantiva, o significado de cada conteúdo. Podemos estar ensinando para que a criança saiba responder a uma série de perguntas em um programa de televisão, mas podemos também ensiná-la a compreender a história do país e a importância das relações históricas do país. Ao ensianr a Inconfidência Mineira, se nós focalizarmos, simplesmente, como produto de ação de grandes homens, estaremos lhe dando um sentido. Colocando na ação dos grandes homens a significação histórica, passamos para a criança a noção de que ele precisa esperar, sempre, o grande homem que salvará o país, e nunca que as mudanças ocorrem pela vontade e determinação dos homens comuns. Se compreendêssemos que a Inconfidência Mineira é resultado de setenta anos de lutas, durante os quais formou-se a consciência nacional, retiramos, do ensino, a característica de exaltação dos grandes homens, das grandes personalidades, e fazemos com que as crianças compreendam que não são os “grandes homens” que produzem a história e, sim, é esta que produz os grandes homens, é o ato histórico que produz as pessoas necessárias para conduzir o destino do país. Não foi um líder isolado que produziu lideranças novas, foi a luta contra o militarismo que produziu importantes lideranças políticas. Tanto que essas grandes lideranças, naquele momento, desapareceram ao desaparecer a circunstâncias que lhes permitiu a emergência.
Ao levar a criança a compreender deste modo, estaremos mudando a sua compreensão de si mesma e a sua relação com o mundo...
São essas as questões fundamentais com as quais a escola e os educndos devem se ocupar: que concepção de homem, de sociedade e de mundo preside o proceso pedagógico, pois, sob tais concepções, há de se levar o educando a um tipo de visão de mundo e de homem.
Em último lugar, essa escola necessária deve viver de forma radical os seus processos e formas de avaliar.

5. A AVALIAÇÃO NECESSÁRIA

Se alguém considera que avaliar significa verificar o quanto de informação o educando deteve a partir de um determinado trabalho, então avaliar significa medir, pesar na balança.
Foram repassados um quilo de informações de matemática. Quantas gramas o aluno reteve? Até quinhentas gramas, está bem; mais do que isso, melhorou; abaixo disso, está reprovado.
É fundamental entender que esse tipo de concepção de educação estabelece um método de ensino, exige uma determinada aparelhagem e estabelece uma forma de avaliação que vai dizer quem sabem e quem não sabe.
Muito diferente é a concepção do processo educativo como processo de crescimento da visão de mundo, da compreensão da realidade, de abertura intelectual, de desenvolvimento da capacidade de interpretação e de produção do novo, de avaliação das condições de ua determinada realidade. Por aqui começamos a entender o processo educativo como abertura de janelas ao educando para ver o mundo.
Este processo já não pode mais ser medido simplesmente numa balança e nem com fita métrica. Avaliar agora é verificar como o conhecimento está se incorporando no educando, e como modifica a sua compreensão de mundo e eleva a sua capacidade de participar da realidade onde está vivendo.
Este conhecimento incorporado será capaz de ajudá-lo, não apenas a acumular informações, mas a compreender a sua realidade, a entender e participar na mudança social. A posse dessa compreensão levará o educando a organizar o conhecimento dessa realidade, enfim, a organizar a própria realidade. Por isso, ela ativa a transformação individual e social do mundo, da política, da cultura, da ciência, da técnica, da religião, da moral, da estética.
O destinatário da ação educativa, desta forma, é o educando e, portanto, ao avaliar o resultado do trabalho pedagógico, fica evidente que é muito mais desajuste examinar as marcas que ficaram registradas no educando do que a quantidade de informações que o educando é capaz de devolver.
Devemos notar que o objetivo do ensino não é o conteúdo de ensino. Não é o fato histórico, a proposição matemática ou a lei da física que constitui o objetivo do ato educativo. Eles são os mediadores do conhecimento e da competência do educando para compreender o mundo. Mais importante do que o educando saber responder a tantas questões de história e demonstrar o domínio das regras gramaticais da língua portuguesa é ele ser capaz de, através do aprendizado da história, entender o processo de construção social humano e, através do aprendizado da língua, desenvolver sua competência lingüística. Acrescente-se a isso o que podem as ciências, a matemática, a geografia, a educação artística e outros conteúdos abrir a visão de mundo dos educando e teremos como resultado o crescimento intelectual, moral, físico, crítico, político e profissional do educando que está em jogo de modo global no processo educativo. Logo, é isso que deve ser avaliado.
Tal avaliação não pode acontecer de maneira individualizada, segmentada e isolada. Não é importante saber o que ele aprendeu de matemática, mas como o que ele aprendeu produziu nele mais competência para se inserir e insurgir na realidade vivida. A avaliação deve ser considerada pelos educadores, pois, como uma tarefa coletiva, de todos, e não uma obrigação formal, burocrática e isolada no processo pedagógico.

6. CONCLUSÃO

Em último lugar, temos de lembrar que a escola necessária detém a unidade do processo educativo. A escola é única do primeiro ano até a universidade.
O que temos são níveis diferenciados de aproximação e de ampliação do conhecimento, mas este tem uma unidade, das suas formas mais simples às mais complexas; das mais elementares às mais universais; das mais desorganizadas e superficiais às mais profundas.
À medida que avança, permite que se aprofunde na análise da realidade. O processo conduz o educando ao entendimento mais ampliado, à participação mais efetiva, a uma visão de realidade mais ampla e a uma visão de si e da história de maneira mais organizada, a uma atuação mais efetiva no processo de mudança e de transformação da sociedade onde vive.

RIM DO WILSON ARRUDA PAI

WILSON ARRUDA PAI EXTRAI UM RIM E PASSA BEM

Boletim 08 - 10/01/2010 (domingo)
O pacinete Wilson Arruda Pai encontra-se na casa de sua filha Olga Fraga e passa bem. Pela manhã caminhou pelos cômodos da casa e ao meio dia almoçou muito bem. A cicatrização está ocorrendo de forma significativa. Dia 15 volta ao hospital para a retirada dos pontos.
Boletim 07 - 09/jan/2010
Hoje, às 11 horas, o paciente Wilson Arruda pai teve alta do Hospital Ernesto Dorenelles. Ao entrar no automóvel teve uma queda de pressão e foi encaminhado ao setor de emerg~encia do Hospital, mas após uma batria de exames e medicado chegou em casa as 19 horas e tomou um bom café. As 22 horas comeu um carreiteirinho sem sal.
Boletim 06 - 08/jan/2010
Hoje o médico anunciou que sábado o paciente terá alta.
Boletim 05 - 07/jan/2010
Continua tudo bem com recuperação do paciente Wilson Arruda Pai. Hoje, tirou a sonda e começa a urinar no papagaio. Fez uma sessão de fisioterapia pela manhã e tarde.
Bolentim 04 - 06/ jan/2010 (quarta-feira)
Ocorre tudo bem na recuperação do Wilson Arruda Pai. Segundo o médico Mário Alexandretti a cicatrização e o fluxo de urina está normal. Fez uma sessão de fisioterapia pela manhã e tarde.
Boletim 03 - às 14 horas do dia 05/jan/2010
O paciente Wilson Arruda Pai está em pleno restabelecimento e com pressão de guri. As enfermeiras (Adriane, Andréia e Fabiane) e enfermeiros do 4º andar são muito atenciosos. Wilson Arruda reclama da comida por que está sem sal, devido a dieta recomendada pelo médico. O banho é de gato na cama.
Boletim 02 - às 19 horas do dia 05/jan/2010
O paciente Wilson Silveira Arruda foi para o quarto de recuperação e passa bem. Sente algumas dores no corte da cirurgia, mas que segundo o médico Mário Alexandretti, isso é normal até que ocorra a cicatrização.
Boletim 01 - às 11 horas
O Ex-vereador de Viamão, Wilson Silveira de Arruda, nesta terça-feira, 05, extraiu um rim que apresentava nódulos cancerígenos (ver fotos). A cirurgia foi realizada no Hospital Ernesto Dornelles, Porto Alegre. O urologista, Dr. Mário Alberto Alexandretti, no final da cirurgia disse que o paciente, mesmo com 81 anos, passa bem e deve permanecer na UTI até às 18 horas de hoje, e após ira para o quarto, nº 479, onde poderá receber visitas a partir de quinta-feira. O médico salientou que na região, onde estava localizado o rim doente, não há sinais de nova formação de metasteses. A anestesia aplicada no paciene foi a peridural.









sábado, 2 de janeiro de 2010

ETA VIAMÃO 100 ANOS

ESCOLA TÉCNICA DE AGRICULTURA DE VIAMÃO: 100 ANOS

VILSON ARRUDA FILHO: ETA VIAMÃO: LOGOTIPO OFICIAL COMEMORATIVO DOS CEM ANOS

ETA VIAMÃO: LOGOTIPO OFICIAL COMEMORATIVO DOS CEM ANOS



Logotipo vencedor
Autora:
Daniela Delanni Ferreira
Ganhou R$ 1.000,00

Comissão Organizadora e avaliadores




Marcelo (E), Vieira (C) e Gilson (D)


Comissão organizadora do concurso do Logotipo dos "Cem Anos" da Escola Técnica de Agricultura de Viamão - ETA

Diretor:
Evandro Cardoso Minho
Professores:
Vilson Antônio Arruda - Coordenador
Igor Vargas
Janaina Berft
Ex-aluno:
Silvio Terra de Oliveira
Aluno 2009:
Eudes Vinícios dos Santos

Dos Avaliadores do Concurso
a) Nenhum professor, aluno, funcionário e pais foram avaliadores do concurso do Logotipo dos “Cem Anos”.

b) Para a escolha dos avaliadores do concurso do logotipo comemorativo dos “Cem anos da Escola” a Comissão organizadora do evento priorizou convidar profissionais com notoriedade pública, filhos de Viamão, que atuam na área de publicidade e que tem o nosso maior respeito e consideração.

c) Mauro Vieira, repórter fotográfico da RBS e Zero Hora, com mais de 25 anos de atuação profissional e com experiência na área publicitária, como também foi enviado especial da ZH em duas copas do mundo;

d) Marcelo Bueno, reconhecido publicitário e proprietário da empresa Nitro Comunicação e Marketing com sede em Porto Alegre.

e) Gilson Silva, repórter fotográfico com atuação na área de markentig e atual diretor da empresa Gás propaganda e markentig com atuação profissional reconhecida em nosso município.

Da Avaliação
a) Os onze trabalhos avaliados pelos três jurados não tinham identificação dos seus projetistas, e sim, um pseudônimo, preventivamente, solicitado no ato da inscrição com a finalidade de isentar os avaliadores de qualquer suspeita.

b) O processo de avaliação dos jurados foi acompanhado durante todo o tempo pelos profissionais da imprensa local, caracterizando a transparência do concurso: Jornal Correio Rural (Jornalista Milton Santos) e Diário de Viamão (Jornalista Daniel Jaeger).

c) Cada jurado recebeu uma cópia do edital, e que depois de lido e interpretado passaram a realizar os procedimentos avaliando individualmente cada logotipo.


Postado por Vilson Arruda

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