terça-feira, 7 de setembro de 2010

O QUE É CONSTRUTIVISMO - RESENHA

REGESD - UFRGS

DISCIPLINA: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
Professora: TANIA BEATRIZ IWASZKO MARQUES

Professora: DENISE SEVERO

Aluno: Vilson Antônio Arruda1


O QUE É CONSTRUTIVISMO?



O objetivo deste trabalho é analisar a evolução dos modelos pedagógicos com ênfase ao construtivismo, baseado no texto de Fernando Becker, proposto pela disciplina de Psicologia da Educação.
Analisando a história da educação observo que as teorias de aprendizagem se dividem em duas correntes: uma empirista e outra apriorista.
Para os empiristas as bases do conhecimento estão nos objetos, em sua observação. É nesta teoria que se baseiam a maioria das correntes pedagógicas que existem atualmente pelas escolas, e entre elas o behaviorismo. Essa corrente acredita que o conhecimento pode ser repassado de um indivíduo para outro pelo contato (estímulo do meio) na forma escrita, oral ou gestual.
Por outro lado, a corrente dos aprioristas entende que a origem do conhecimento está no próprio sujeito, pois acreditam que a bagagem cultural já vem armazenada geneticamente no interior do indivíduo (condições internas), e que este conhecimento desperta quando o professor promove corretamente os estímulos.
Contrário a esses dois paradigmas surge à teoria de Jean Piaget que funde as duas teorias em uma única, fruto de suas observações sistematizada com uma metodologia de análise, denominada de Método Clínico que consiste em provar cientificamente como se constrói o conhecimento no ser humano a partir dos recém-nascidos, fundamentando as suas bases teóricas na Epistemologia Genética.
No livro “O Nascimento da Inteligência na Criança”, Piaget (1982) fundamenta a sua teoria quando afirma que “as relações entre o sujeito e o seu meio consistem numa interação arrojada, de tal forma que a consciência não começa pelo conhecimento dos objetos, e nem pela atividade do sujeito, mas por um estado diferenciado; Segundo, Piaget, é desse estado que derivam dois movimentos complementares, um de incorporação das coisas ao sujeito, e outro de acomodação às próprias coisas”.
Assim, Piaget define nas suas bases três conceitos fundamentais para a sua teoria: a interação, a assimilação e a acomodação. Dessa forma as teorias de Piaget são utilizadas em vários campos de pesquisa, inclusive na pedagogia.
Então, o construtivismo encontra a suas bases nas pesquisas em Piaget (Epistemologia Genética), quando afirma que é o resultado da construção do próprio indivíduo. Quando se fala em construtivismo no âmbito da educação, muitas pessoas pensam que é teoria educacional, no entanto, nada mais é que uma teoria sobre o conhecimento, mas um subsídio fundamental para o aperfeiçoamento das técnicas pedagógicas. Esse assunto é bem visto por uns, mal vistos por outros e ainda existem aqueles que não sabem o que isto significa.
Para Fernando Becker construtivismo é esta forma de conceber conhecimento: sua gênese e seu desenvolvimento. “É, por consequência, um novo modo de ver o universo, a vida e o mundo das relações sociais, e acrescenta que se é esquisito dizer que um método é construtivista, dizer que um currículo é construtivista é mais esquisito ainda”
O professor que trabalha a pedagogia relacional (construtivista) sempre traz para a sala de aula algum material – algo que, presume, ter significado para os alunos. Propõe que eles explorem este material – observando o grau de escolaridade. Esgotada a exploração do material, o professor dirige um determinado número de perguntas, explorando, sistematicamente, diferentes aspectos problemáticos a que o material dá lugar. Pode solicitar, em seguida, que os alunos representem - desenhando, pintando, escrevendo, fazendo cartunismo, teatralizando, etc. - o que elaboraram. A partir daí, discute-se a direção, a problemática, o material da(s) próxima(s) aula(s).
Por que o professor age assim? Porque ele acredita - melhor, compreende (teoria) - que o aluno só aprenderá alguma coisa, isto é, construirá algum conhecimento novo, se ele agir e problematizar a sua ação. Em outras palavras, ele sabe que há duas condições necessárias para que algum conhecimento novo seja construído: a) que o aluno aja (assimilação) sobre o material que o professor presume que tenha sigo de cognitivamente interessante, ou melhor, significativo para o aluno; b) que o aluno responda para si mesmo às perturbações (acomodação) provocadas pela assimilação deste material, ou, que o aluno se aproprie, neste segundo momento, não mais do material, mas dos mecanismos íntimos de suas ações sobre este material
Lendo o texto proposto observo que a aprendizagem do indivíduo começa muito antes da aprendizagem escolar e que nunca parte do zero. Toda aprendizagem do indivíduo na escola tem uma pré-história. Atividade criadora é uma manifestação exclusiva do ser humano, pois só este tem a capacidade de criar algo novo a partir do que já existe. Através da memória, o homem pode imaginar situações futuras e formar outras imagens. Sendo assim, a ação criadora reside no fato da não-adaptação do ser, isto é, de não estar acomodado e conformado com uma situação, buscando através do imaginário e da fantasia, um equilíbrio, bem como a construção de algo novo. No filme “Rachachânt” é observado que aluno estava desmotivado, pois o professor, certamente, desconsiderava a sua aprendizagem anterior à escola.
Na pedagogia relacional de aprendizagem observa-se outro aspecto fundamental que é o fato de propiciar ao estudante (aprendiz) a chance de aprender com seus próprios erros. Acredito que no construtivismo, o erro deixa de ser uma arma de punição e passa a ser uma situação que nos leva a entender melhor nossas relações e conceitualizações. Assim, o aluno é livre para explorar os conceitos, e os erros são usados para depurar os conceitos e não para se tornarem a arma do professor. Desta forma o construtivismo é revolucionário por que retira do professor o poder e a autoridade transformando-o de todo poderoso detentor do saber para um “educador-educando”, segundo as palavras de Paulo Freire, e é nesta visão que devemos permear todo um “ambiente construtivista”.
Concluindo: a vantagem do construtivismo sobre outras linhas de ensino é procurar formar pessoas de espírito inquisitivo, participativo e cooperativo, com mais desembaraço na elaboração do próprio conhecimento. Além disso, o construtivismo cria condições para um contato mais intenso e prazeroso com o universo da leitura e da escrita.
Eu já trabalho com os alunos de forma participativa e em grupos, mas ainda atado ao currículo, e as regras da escola pública. Ainda, tenho os meus medos de promover uma pedagogia muito aberta, mas não sou tanto mais, autoritário quanto já fui e exemplo disso, é que não trabalho mais com provas, notas e canetas vermelhas. Respeito o tempo de aprendizagem de cada aluno. Os alunos praticam auto-avaliação e a minha avaliação é por apresentação de trabalhos que eles fazem através de temas que eles mesmos escolhem. E se não satisfazerem o que foi proposto pelo grupo, eles podem apresentar novamente quantas vezes for necessário, até que estejam aptos.


1Aluno do curso de Licenciatura em Biologia – Regesd – UFGRS1

Referências:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, RS, v. 19, n. 1, p. 89-96, 1999. Página da REGESD – Disciplina Psicologia da Educação.
Fernando Becker é professor da Faculdade de Educação e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS

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